você pode ser atendido.
Você se deita e olha para o teto, como se pudesse enchergar o céu através dele. Se deixa devanear, vaga livremente em pensamentos.
Sem muitas esperanças, quase que por mera vontade, pede a qualquer entidade superior que lhe dê um sinal, lhe indique um caminho ou, pelo menos, alivie suas dores.
Infelizmente, não acredita que seja possível. Mas pede, de qualquer forma. Uma ajudinha, um pequeno impulso para encontrar a solução de seus problemas.
Um anjinho travesso está passando por ali justamente naquele momento. Ele ouve o seu pedido tristonho, fica comovido com a sua situação e, ingenuamente, resolve ajudar.
Você pede distração dos seus piores pensamentos, ele lhe dá muitos deveres em que se concentrar.
Você pede paz, ele abre seus olhos para a beleza das coisas simples.
E, finalmente, você pede distância. Se acreditasse na realização desse pedido, pediria especificamente que lhe afastassem da vida que leva. Mas o anjinho maroto não sabe dessa parte e faz exatamente o contrário, afasta de você o que lhe trás sofrimento.
Com a melhor das intenções, ele sai voando pelo paraíso, muito satisfeito consigo mesmo por ter ajudado uma pobre mortal que chorava.
É, seus pedidos se realizaram.
Agora você sabe apreciar as pequenas coisas, não tem tempo para meros problemas pessoais... e não tem por perto os fantasmas de dores passadas.
E mesmo assim, sente que alguma coisa está fora do lugar.
Você sente medo, medo da verdade que sabia e pela qual esperava desde o começo:
Algumas coisas se perdem pra sempre.
Fim.