como se lhe fazer companhia fosse um fardo, uma obrigação trivial, algo que se faz por puro costume, ou falta de opção.
às vezes é melhor andar sozinha.
não se trata de ingratidão ou drama, apenas de evitar uma situação incômoda que só tornará as coisas ainda mais difíceis.
quando enfrenta dias ruins e noite piores, sentimentos confusos e emoções desagradáveis, você precisa de tudo; menos de críticas e lições de moral.
qualquer coisa é bem vinda: um gesto, um abraço, uma palavra, um sorriso, um simples olhar.
mas tudo isso lhe falta. não pode pedir, seria uma atenção forçada, exigida. não tem intenção de exigir. se não diz do que precisa é justamente por esse motivo. sabe que não se deve exigir esse tipo de carinho.
mas o que pode fazer? atrapalhar a felicidade das pessoas que ama com suas lamúrias, suas lágrimas, seus problemas?
no fundo, você sabe que estão todos cansados de você. são amigos, são. mas estão cansados. você não os culpa, é natural que, felizes, não compreendam seu sofrimento calado ou as palavras que seus olhos sussurram tão desesperadamente.
o que você precisa é tão simples e mesmo assim ninguém parece capaz de entender.
a tortura é cada vez pior. mesmo acompanhada, você se sente terrivelmente só. mais só do que jamais sentiu-se em toda a sua vida. e a solidão apaga todas as luzes que sua teimosa esperança insiste em continuar acendendo.
se parar um momento, vai sentir o nó na garganta, sufocando. o coração. você é capaz de senti-lo debater-se no peito, como se quisesse sair mundo a fora.
dentro do ônibus, sob o calor insuportável, ainda é capaz de escrever um poema medíocre.
espera que não julguem, que não se irritem, que não digam em insinuações educadas o quando você é patética.
poemamedíocre.
as lágrimas caem, sofridas, sufocadas.
você o vê, imponente e vermelho.
vermelho vivo, vermelho sangue.
ele ganha velocidade. mais e mais e mais.
um pé na calçada, outro no meio-fio.
um pequeno passo. apenas um.
só, em um mundo repleto.
o som das rodas é tentador.
como será do outro lado?
haverá luz? haverá paz?
haverá companhia?
"bem está o que
bem acaba"
não.
mais uma vez.
traída por si mesma.
pelos próprios princípios.
a covardia teria sido tão simples.
fugir da solidão, fugir da dor, fugir.
tão tentador, tão fácil, tão perto.
mas, novamente, você acendeu uma luz.
mesmo quando podia desistir, você não pôde.
você deu uma passo para trás e respirou.
sozinha, patética e ainda assim resistiu.
desnecessária e ainda assim viva.
não tomou o caminho mais fácil, de novo.
preferiu sofrer, lutar, se humilhar. mas viver.
as lágrimas caem, sofridas, sufocadas.
você o vê, imponente e vermelho.
vermelho vivo, vermelho sangue.
ele ganha velocidade. mais e mais e mais.
um pé na calçada, outro no meio-fio.
um pequeno passo. apenas um.
só, em um mundo repleto.
o som das rodas é tentador.
como será do outro lado?
haverá luz? haverá paz?
haverá companhia?
"bem está o que
bem acaba"
não.
mais uma vez.
traída por si mesma.
pelos próprios princípios.
a covardia teria sido tão simples.
fugir da solidão, fugir da dor, fugir.
tão tentador, tão fácil, tão perto.
mas, novamente, você acendeu uma luz.
mesmo quando podia desistir, você não pôde.
você deu uma passo para trás e respirou.
sozinha, patética e ainda assim resistiu.
desnecessária e ainda assim viva.
não tomou o caminho mais fácil, de novo.
preferiu sofrer, lutar, se humilhar. mas viver.

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