lágrimas secas em rostos de plástico.

acho que o maior desafio de todos é enfrentar-se, dia após dia, destruindo-se aos poucos, em favor de não machucar mais ninguém além de si mesmo. ter vontade de falar e não conseguir. ter vontade de gritar e não poder. ter vontade de chorar e não se permitir.
o que dizer afinal? com quem dividir uma angústia tão complexa? não há quem possa ajudar? não há quem possa corrigir?
os dias passam, longos e arrastados. forçar sorrisos, criar desculpas, usar máscaras.
ah, a dor é carregada de egoísmo, e o egoísmo, de culpa. implorar ajuda, implorar socorro, resgatar lembranças, resgatar sentido. de que forma? todos estão felizes, todos riem. todos fazem planos, todos amam. todos são amados, todos têm motivo. todos têm alegria, todos têm a todos. como exigir que pessoas felizes mergulhem em sua tristeza para salvá-lo? egoísmo. culpa.
mas mesmo períodos difíceis findarão. findarão?
a cada pequena alegria surgem novas tristezas, novas dificuldades, novas perdas.
triste, confuso e perdido, e todos felizes, e todos sorrindo.
"anime-se"
vazio. é possível estar feliz sendo triste? é possível sorrir quando se precisa chorar?
sim, é possível. mas a que custo? a custo de destruir-se de dentro para fora, aos pouquinhos.
olhar para trás e perceber que cada passo doeu, cada pausa adiou, cada pegada falhou.
coração batendo, batendo, batendo. como música, como compasso sem compasso. olhos que não olham, boca que não fala. não fala porque não pode, porque se culpa. se culpa por ser infeliz quando todos exigem seus sorrisos com ordens silenciosas. como lutar?
olhos fechados, sonhos à toa. uma rosa nos lábios esconde os espinhos no coração.
perdas. saudade. vontade abraçar quem já não mais possui braços, falar com quem já não tem voz. e ainda assim tem presença. e ainda assim permanece. faz falta.
e todos, todos continuam andando alegremente pela trilha, enquanto você procura forças para mover os pés. em qualquer sentimento bom que perpasse seu coração, em qualquer emoção agradável que ecoe no espírito.
dói. continua doendo. até quando vai doer. até onde vai aguentar. não pode dizer. não podem compreender. saber machuca. não saber apavora. o terror de estar vivo. o medo de morrer sem ter conhecido. e quem já se foi, mas ainda existe.

ausência e permanência - esse é pra você Tiggs <3

permanência,

segundo o dicionário: ato
de permanecer,
estabilidade, duração, firmeza, constância, perseverança, sem ausência nem interrupção.

mas o que realmente significa permanecer? talvez não dependa da vontade de quem permanece, nem de quem o faz permanecer. talvez dependa dos laços que se formam entre as pessoas durante o tempo. talvez, a partir do momento em que o laço é criado, a permanência seja inevitável. um vai estar permanente no outro, seja em que grau de profundidade for.

ausência,

estado ou circunstância de não estar presente, falta de comparência, carência.

será que a ausência é a falta da permanência? não, não a meu ver. aqueles que amamos permanecem conosco, mesmo ausêntes. a ausência trás saudades, mas não rompe os laços que se formam entre amigos de verdade. a ausência é uma consequencia das fatalidades, a permanência é uma verdade natural e eterna.


pessoas permanentes são aquelas que precisam de apenas dois segundo para entrar na vida da gente, e não sair nunca mais. amigos permanentes são aqueles que mesmo longe, estão ao seu lado, não importa de que maneira. a ausência de um desses amigos é uma tristeza que não se pode expressar em palavras, por mais que se chegue perto.

essa postagem é uma tentativa de expressar o quando a sua ausência é triste e sua permanência verdadeira Tiggs, embora esse seja um momento em que expressar o que eu sinto é praticamente impossível. ausente ou não, você é um dos meus amigos permanentes. seu lugar é e sempre será o seu lugar no meu coração. o lugar de um amigo querido, animado, carinhoso e cheio de luz. do menino alegre com quem eu passava horas jogando campo minado, embora o messenger tentasse nos impedir. aquele que sempre tinha uma palavra de apoio e um sorriso para as situações mais complicados.

nesse momento, me conforta saber que da última vez que nos vimos, eu te dei um abraço bem apertado, mesmo que eu quisesse ter feito isso mais vezes.

se a morte é apenas a aventura seguinte, então isso não é um adeus.
até mais Tiggs, nós nos veremos de novo um dia, tenho certeza. enquanto isso, vou olhar para o céu todas as noites, para ver a sua estrela brilhando forte e deixando o céu mais bonito.

até breve.

Mcfly tirou o dia pra me perseguir

Achei que seria interessante registrar esse fato.
Afinal de contas, não é sempre que uma única música te persegue desse jeito.
Cinco vezes em uma tarde, no rádio, na TV, no computador, no MP4 e na rua.. realmente, não é sempre que isso acontece.
Medo, eu hein.


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Alter egos nem tão seguros.

Sally caminhava os mesmos passos repetitivos, de volta para casa depois de um dia ordinário, perguntando a respeito de si mesma e o quão pouco compreendia, apesar de tão bem conhecer-se. Observava-se quase que externamente, buscando respostas novas para as velhas perguntas.
Timidez, ah! a velha timidez. Era possível que todos aqueles anos de superação conservassem ainda a velha e ingênua timidez?
A menininha de muitos pensamentos e pouquíssimas iniciativas permanecera com ela, não apenas em suas lembranças, continuava entranhada em sua personalidade, escondida em suas pálpebras e no canto dos lábios.
Todas as iniciativas e a eloquencia, tudo isso perdia-se de repente. Os gestos tornavam-se frágeis, tão sutis e tão ridículos, tão importantes e descartáveis, transformando segundos em horas intermináveis. E as palavras, as palavras que tanto respeitava e com naturalidade sabia utilizar, perdiam-se em frases bobas, sem muito sentido, saiam aos tropeços em uma voz quase trêmula.
Timidez, por que novamente a perseguia? Seria um aviso secreto, um sinal, talvez? Sinal de quê?
Talvez...
Não, não queria pensar muito mais sobre isso.
Nesse ponto, conhecia a si mesma e a todos os seus universos íntimos. Sabia quando parar. Sabia?
Deveria saber.
Acontecimentos recentes deveriam ser levados em conta. A timidez, a banal timidez era um sinal, sim, mas um mau sinal. Mau? Talvez...
Talvez não, era um mau sinal. O que a intrigava era este sinal anteceder a certos outros. Por que a timidez agora?
Maldita timidez.
Significava tanta coisa e tão pouco. Simples, porém muito mais complicada. Uma verdadeira contradição de pensamentos e, talvez... sentimentos?
Chegou ao portão de casa.
Sally, Sally, pare de pensar!, disse a si mesma. E tentou não pensar em mais nada.

And thats why...


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Everytime I fall asleep my dreams are haunted




And everytime I close my eyes I'm not alone




And everytime I cry I'm right back where you wanted




I try to drown you out so...




...Down goes another one.




.

Cuidado com o que deseja,

você pode ser atendido.

Você se deita e olha para o teto, como se pudesse enchergar o céu através dele. Se deixa devanear, vaga livremente em pensamentos.
Sem muitas esperanças, quase que por mera vontade, pede a qualquer entidade superior que lhe dê um sinal, lhe indique um caminho ou, pelo menos, alivie suas dores.
Infelizmente, não acredita que seja possível. Mas pede, de qualquer forma. Uma ajudinha, um pequeno impulso para encontrar a solução de seus problemas.
Um anjinho travesso está passando por ali justamente naquele momento. Ele ouve o seu pedido tristonho, fica comovido com a sua situação e, ingenuamente, resolve ajudar.
Você pede distração dos seus piores pensamentos, ele lhe dá muitos deveres em que se concentrar.
Você pede paz, ele abre seus olhos para a beleza das coisas simples.
E, finalmente, você pede distância. Se acreditasse na realização desse pedido, pediria especificamente que lhe afastassem da vida que leva. Mas o anjinho maroto não sabe dessa parte e faz exatamente o contrário, afasta de você o que lhe trás sofrimento.
Com a melhor das intenções, ele sai voando pelo paraíso, muito satisfeito consigo mesmo por ter ajudado uma pobre mortal que chorava.
É, seus pedidos se realizaram.
Agora você sabe apreciar as pequenas coisas, não tem tempo para meros problemas pessoais... e não tem por perto os fantasmas de dores passadas.
E mesmo assim, sente que alguma coisa está fora do lugar.
Você sente medo, medo da verdade que sabia e pela qual esperava desde o começo:
Algumas coisas se perdem pra sempre.
Fim.

hibernação.


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começa a chover, mas você não arma a sombrinha. são duas quadras até o portão da frente, nada que uma corridinha não desse conta, mas você prefere caminhar bem devagar. você está se molhando, seu tênis está sujo de barro, seu cabelo começa a pesar, a despentear. por que você continua andando no mesmo ritmo lento e compassado? por que seus olhos vagam pelas poças d'água com tanta placidez?
quando começou a chover, você pensou na sombrinha vermelha no fundo da bolsa, pensou no resfriado que já estava lhe incomodando, pensou que ficaria ensopada... mas no mesmíssimo instante, viu que não havia motivo para não se molhar, ou para evitar um resfriado.
quando pensou em correr, pensou também em sentar na beira da calçada e continuar na chuva, esperando o tempo passar, esperando a chuva cessar. esperando. esperando.
quando viu as manchas escuras na jaqueta, pensou em esperar que se espalhassem o suficiente para preenchê-la, o barro não era assim tão ruim, nada ruim, e os fios de cabelo desalinhados pesando em seus ombros davam uma sensação agradável. confortável.
na verdade, tudo o que você queria era ficar ali no meio do caminho para casa, sentar-se na beira da calçada e fixar os olhos no asfalto molhado.
mas sua mãe ficaria preocupada, o telefone vibraria no bolso da mochila e você teria que atender. ou então não atenderia, e ficaria ali até que algum vizinho viesse perguntar se estava tudo bem. você não teria resposta, pois a pergunta não faria sentido. então você continuou andando até o portão, molhada e vazia, pensando em nada. tentando não pensar.
por mais que adiasse, chegaria perto demais e teria de entrar.
entrou. bateu na porta.
e tudo seguiu no automático, todas as perguntas, todas as respostas, as frases secas, a voz fria.
você fechou a porta do quarto, as cortinas, os olhos.
e dormiu. dormiu porque não aguentava ficar acordada. dormiu porque ficar acordada era difícil. dormiu porque, dormindo, estaria segura. a salvo de si mesma, a salvo da sombrinha vermelha fechada dentro da mochila, das ligações perdidas no celular, do vizinho preocupado.
fechar os olhos e abrir a mente.
abrir a mente e fechar os medos.
fechar os medos e abrir os sonhos.
sonhar e permanecer segura, durante todo o inverno.

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